13/06/07...12:00 pm
Antes de consertar o mundo, limpe seu quarto
- Sou estudante do Colégio Pentágono, unidade Perdizes. Curso o segundo ano do Ensino Médio e gostaria de comentar o artigo inserido em seu “site”, publicado também na revista Veja de 10.6.2007, sobre atitude tomada pela Sra. Mírian Macedo, mãe de uma ex-aluna da unidade Morumbi, acerca de informações contidas em apostilas do sistema COC, utilizadas em minha escola.
Não admito que nenhum dos meus professores sejam acusados de adotar apostilas de conteúdo “pornomarxistas” e “deseducadoras”. Aliás, a expressão “pornomarxista” é por si só desrespeitosa. Não se qualifica nenhuma teoria de “pornô”, ainda que se trate de teoria que revele ideologia com a qual não se concorde e que possa ser considerada errada, ultrapassada e até mesmo absurda. A deselegância da expressão utilizada revela falta de educação de quem se diz preocupada com ela.Não precisa ficar bravinho…nem se sinta ofendido. Isso aqui é um site particular, para começo de conversa. E o que se quer dizer com porno-marxismo? Marxismo rastaquera, chulé, chimfrim. Marxismo de quem nunca leu Marx, a não ser em quadrinhos – e eu lhe garanto que a maioria de seus professores só leu Marx em quadrinhos…Para que os menos avisados que leram o artigo e que não conhecem minha escola e meus professores, gostaria de prestar alguns esclarecimentos.Nenhum professor de minha escola é obrigado a adotar exclusivamente as apostilas do COC, para ministrar suas aulas. Aliás, desde o início do Ensino Médio as disciplinas de História e Geografia (que foram citadas no artigo) são ministradas por professores muito competentes, sendo que a qualidade das aulas é tão boa que nem é preciso utilizarmos as apostilas, bastando as anotações de classe.O que não descaracteriza em nenhum momento que a doutrinação possa estar comendo solta em sua escola. De novo, não se sinta ofendido: em toda escola é assim. A doutrinação sub-marxista está entranhada em nosso sistema de ensino.Em mais de uma oportunidade, pequenos equívocos constados nas apostilas foram imediatamente corrigidos pelos próprios professores. Meu professor de História já nos orientou que riscássemos determinada informação equivocada contida na apostila, substituindo-a pela informação correta por ele mesmo fornecida.Tem certeza de que era correta? Professores não são deuses, principalmente em Humanidades.Também nunca nenhum dos meus professores durante minha vida escolar inteira (estudo no Pentágono há 13 anos) me induziu a alguma ideologia de esquerda ou direita. Eles sempre expuseram os fatos como são, deixando que nós alunos tirássemos conclusões e formássemos opiniões próprias, sobre os diversos fatos históricos, sem nunca tentarem exercer qualquer atividade doutrinária sobre mim e meus colegas.Se algum professor seu disse que a Guerra do Paraguai foi insuflada pela Inglaterra, que a Doutrina Monroe é uma das culpadas pelo atraso latino-americano, que Jango sofreu um golpe porque queria reformas políticas necessárias, ou que o MST é um movimento social ao invés de um bando de bandidos, você está aprendendo a VERSÃO MARXISTA DA HISTÓRIA. Sinto muito.Espero que os senhores tenham lido a Folha de S. Paulo de ontem, 12 de junho de 2007, pois há uma reportagem de Daniela Tófoli no caderno Cotidiano que expõe o comentário da diretora pedagógica do meu colégio, Gracia Klein e o pronunciamento de defesa de José Henrique Del Castillo Melo, diretor da Editora COC. A reportagem da Folha, ao contrário do que ocorreu com a da revista Veja, não se preocupou apenas em expor um único lado da questão.Na mesma reportagem, o teólogo Fernando Altemeyer da PUC-SP, procurado pela Folha, afirma que um texto da apostila, indicado como errado pela Sra. jornalista Mírian Macedo está correto apesar de mal escrito. Trata-se da questão envolvendo a Igreja e a escravidão. Informou o teólogo que a Igreja apoiava sim a escravidão, não tendo a Sra. jornalista se aprofundado mais em sua pesquisa, o que a fez não levar em conta o fato de a bula papal que menciona não ter sido aplicada, ao menos na Igreja da América Latina da época colonial.No que diz respeito ao texto de autoria do poeta Mino, subestimado em minha opinião pela revista Veja, pois se trata de poeta integrante do forte movimento da literatura marginal, novo equívoco cometeu a Sra. jornalista, infelizmente amparado pela revista Veja.15 anos e especialista em literatura? Seu caso é pior do que parece. Aposto que gosta de Caetano, Gil, Tom Zé. Amigo, leia mais, informe-se mais. Leia gente importante: Hayek e Friedman (Nobel de Economia, ambos, com livros fáceis – O CAMINHO DA SERVIDÃO e CAPITALISMO E LIBERDADE), 1984, do Orwell, leia de verdade O CAPITAL, nem que leve cinco anos, nem que tenha que ler outros livros. Quando você começar a trabalhar e entender a vida como ela é, leia Rosa Luxemburgo, Adorno, Marcuse. Veja de onde vem as idéias de seus professores. Nenhum deles é “imparcial”. Leia Gramsci. Leia toda a esquerda, para entender o tipo de dominação que exercem sobre você, que, além de tudo, você não percebe. Mas, como disse antes, eduque-se. Não queira entrar em debates para o qual não tem a formação básica. Como dizem por aí, antes de consertar o mundo, arrume o seu quarto.O texto do referido poeta foi citado na apostila de redação, porque foi objeto de questão no vestibular da UFMG. Sempre foi preocupação de nossa professora de redação, nos preparar para o vestibular, sendo assim correta sua atitude de procurar se informar sobre os temas que já foram apresentados nas provas. Em nenhum momento nossa professora de redação teceu qualquer comentário contra ou a favor do texto do referido poeta.No meu entender, a Sra. jornalista e a revista Veja “pinçaram” partes dos textos das apostilas, sem se preocupar com o contexto em seu todo.Sua atitude equivocada, a fez referir-se a Mino, qualificando-o como “um desconhecido escritor cearense que atende pelo nome de Mino”. Entendo que a expressão utilizada pela Sra. jornalista demonstra preconceito. Ademais, Mino não atende pelo nome de Mino. Mino se chama Mino, trata-se de seu nome, do qual seguramente deve se orgulhar.Presto as informações acima, preocupado com o risco que envolve a publicação de notícia que não se aprofundou no exame do tema.Tão ingênuo: o tema não é sua escola, garoto. São todas.
6 Comments
junho 13th, 2007 at 4:31 pm
Estou de pleno acordo. Acredito que já passamos da época em que mentinhamos para os nossos filhos sobre a real historia (principalmente do Brasil). Não há como educarmos nossos filhos sem mencionar a podridão que é governar. As apostilas estão corretissimas em dizerem simplesmente , a verdade. Infelizmente essa mãe prefere ocultar a verdade e pensar que vive num país onde o capitalismo gera consequencias terríveis.
junho 13th, 2007 at 7:21 pm
O que é mentínhamos, ou “corretíssimas em dizerem”? Acho que alguém tem que voltar pra escola…
Como eu disse: eduquem-se. Daí, venham para a mesa dos adultos.
junho 15th, 2007 at 11:48 am
Marco
qq material educacional tem de ser ISENTO de tendências. E criticar por criticar o capitalismo é um lugar comum “tão comum” que não quer dizer mais nada.
junho 18th, 2007 at 6:20 pm
Não vale a pena discutir com você. Só te digo uma coisa: não sou bobo, muito menos ingênuo. Tenho pena de adultos como você. Às vezes chego a pensar que o mundo está realmente perdido.
junho 19th, 2007 at 4:56 am
Pois é, garoto. Não é que não vale à pena, é que simplesmente você não tem as ferramentas para o debate. Vá comer seu danoninho e, quando tiver lido dois livros além da Caminho Suave, venha pra mesa dos adultos.
Ou vá curtir a ignorância de Soninha Francine, Casé Peçanha, qualquer um desses “livres pensadores” brasileiros, inteligentes exemplos de nossa raça altaneira. (putz…)
Como eu disse: graças a Deus que passa, senão precisaríamos de jaulas.
junho 19th, 2007 at 4:59 am
Aliás, é engraçada essa forma de “encerrar” um assunto: `”não vale à pena discutir”.
Engraçado porque você não tem o conhecimento mínimo para rebater qualquer um dos argumentos, senão teria rebatido. E mais engraçado ainda por, aos 15 anos, achar-se “iluminado” o suficiente para saber a Verdade, o que faria com que não valesse à pena pregar a gentios infiéis como eu.
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